O significado da Inteligência Artificial.
A inteligência artificial representa a evolução da capacidade de máquinas e sistemas computacionais para resolver problemas de alta complexidade através da análise de grandes volumes de dados, os quais permitem identificar padrões (capacidade que pretende desenvolver algum tipo de semelhança, com o raciocínio humano).
Desta forma, a inteligência artificial ao invés de seguir regras programadas (softwares computacionais tradicionais baseados em funções condicionais), analisam e validam grandes volumes de dados, identificam diversos padrões estatísticos e comportamentais, e resolvem problemas de forma autônoma.
Na figura acima, é possível compreender de forma geral, uma visão esquemática da operação lógica de uma inteligência artificial; a mesma está baseada na capacidade de buscar dados de forma extremamente rápida, analisar e validar os mesmos, permitindo melhorar o desempenho ao longo do tempo sem serem programados novamente (aprendizado de máquina).
Ao mesmo tempo que tudo isso acontece, os sistemas de IA conseguem processar informações complexas como imagens e áudio, criando redes neurais artificiais, as quais permitem identificar padrões e resolver problemas (aprendizado profundo).
Inteligência artificial aplicada ao diagnóstico automotivo
Agora vamos falar um pouco da IA aplicada ao “chão de uma oficina”, e especificamente no diagnóstico automotivo.
Contudo, antes de iniciar com os exemplos queria deixar uma alerta com relação ao uso indiscriminado do termo “Inteligência Artificial” (IA), já que, o que mais vemos no dia a dia, são scanners automotivos, softwares de oficinas e dispositivos eletrônicos em geral, que alegam contar com algum tipo de inteligência artificial; sem lugar a dúvidas, o termo está na moda e podem apostar que o mesmo continuará sendo utilizado até o esgotamento; mas infelizmente, nem sempre de uma forma correta ou bem intencionada.
Neste sentido, o fato de contar com uma base de dados que procura informações técnicas no próprio software de um equipamento, ou buscar dentro de bases de dados de históricos de falhas, consultar estatísticas de casos mais comuns, ou procurar o chassis do carro a partir de uma placa, não são evidencias ou sinais da existência de uma Inteligência artificial aplicada por trás de uma solução digital.
Da mesma forma, um Chat Bot que responde perguntas sobre que tipo de óleo utiliza determinado veículo, ou qualquer dado técnico em geral, também não podem ser considerados como uma IA…, trata-se apenas de soluções baseadas em softwares que seguem uma base lógica tradicional (regras programadas com base em funções condicionais).
Mesmo assim, são ferramentas úteis…?
Claro que sim…, além de tudo, facilitam o trabalho, geram produtividade etc., mas, não podemos considerá-las como uma IA.
Uma IA como já foi falado, resolve problemas complexos a partir do análise de um grande volume dados (deep search), identifica padrões, e cria novas soluções.
Na imagem acima, vemos um exemplo de uma ferramenta baseada em IA, a qual como muitas das soluções, necessita de uma estrutura de consulta com um certo grau de especificidade para entregar resultados com um índice de assertividade aceitável.
Este ponto é caraterístico das IA; tem que “saber perguntar”, ou ao menos, entregar para a ferramenta, dados específicos de consulta; existe um termo para esta função de responsabilidade do usuário, e leva o nome de “prompt”.
Um prompt é uma instrução ou comando enviada por parte do usuário, para que a informação subministrada funcione como um direcionamento para a IA.
Considerando a especificidade de uma consulta técnica de diagnóstico, a qualidade desse prompt, definirá a assertividade das soluções criadas por parte da IA.
Neste sentido, a ferrramenta do exemplo condiciona o usuário, ao fornecimento de dados para finalizar o suporte em 4 etapas:
Esta caraterística de “prompt guiado”, facilita muito a utilização, e garantirá uma maior qualidade/assertividade das respostas, procedimentos, e instruções geradas pela IA.
Qual é o ponto de atenção de uma IA que oferece suporte a uma atividade técnica/profissional?
Em primeiro lugar temos que partir da base de uma IA não é perfeita…, ou seja, existem situações nas quais o resultado entregue por uma IA está completamente desconectado da realidade; inclusive estes acontecimentos são conhecidos no ambiente tecnológico como “Alucinações”.
Estas alucinações surgem de uma concatenação (relacionamento de fatos, conceitos, dados ou coisas entre si), realizada de forma errada, a partir das informações obtidas durante o processo de Deep Search, representando este, um fenômeno com alto potencial de geração de problemas.
Por este motivo, a utilização de IA como forma de suporte à solução de problemas, sempre deverá ser feita por pessoas que entendem do assunto, ou pelo menos, com um mínimo de preparo sobre o tema abordado.
Não seria estranho ou impossível, uma IA sugerir uma mudança de uma conexão elétrica de um componente eletrônico, com base em uma informação que a IA obteve ou concatenou de forma errada; por este motivo, conhecimento continua sendo um elemento de diferenciação profissional insubstituível.
E qual seria a conclusão com relação a utilização da inteligência artificial?
Da minha parte não esperem por uma conclusão, fica por conta de cada leitor da coluna; mas, a modo de reflexão, deixo duas perspectivas como chamadas de atenção:
- Cuidado para não transforma-se em um negacionista do poder da evolução tecnológica, acreditando que a IA é uma espécie de moda passageira que vai criar uma onda ao igual que aconteceu com os adeptos do Beach Tênis…, (chega, faz muito barulho e depois se dissipa até cair no esquecimento), realmente eu não apostaria por isso!
- Cuidado para não virar um “papagaio de pirata”, que repete frases prontas do tipo: “joga tudo dentro de uma IA que resolve” …, “treina a IA que fica boa”, sendo que essa pessoa não tem nenhum exemplo prático, caso concreto, e muito menos, resultados reais para compartilhar.
Sem lugar a duvidas, pensando em uma oficina automotiva, na qual o conhecimento é o diferencial do negócio, devemos levar a sério aspectos como produtividade, solução de problemas, competitividade, clientes, equipe de trabalho, e dentro disso, temos que responder uma pergunta inquietante:
Quem vai pensar…, seremos nós ou em agente externo?
Inclusive nesta altura, você tem o direito a duvidar com relação a autoria deste artigo…; será que o mesmo foi escrito por uma inteligência artificial?
Diego Riquero Tournier


